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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Crónica Social







"O comboio da vida", aquele que nos leva ao lugar certo, um prédio de vários andares sem elevadores de escadarias íngremes e escorregadias, "só passa uma vez" ; Perdê-lo significa ter que desfazer as malas, arregaçar as mangas e recomeçar do zero. Quantos não terão já pensado nisto nos seus momentos de introspecção, quando o mundo parece desabar-lhes em cima, e se viram confrontados com o dilema de que não podiam adivinhar o rumo dos acontecimentos, ou mesmo que, em última análise, não lhes restavam alternativas, talvez até se trate de pré-destinação!??

Mas, também pode acontecer entrarmos no dito comboio, ficar deslumbrados com o tal prédio de vários andares, sentirmos que o nosso anjo protector nos tem finalmente sobre a sua alçada, e que temos finalmente a nossa oportunidade de, com esforço e perseverança ultrapassar todas as dificuldades (as tais escadarias).

É aqui que a família assume o seu papel, se os progenitores tiverem tido a oportunidade ,ou a capacidade, de preparar convenientemente os seus educandos, de ser o seu suporte, de aconselha-los, de proporcionar-lhes informação certamente que este percurso será mais fácil e sobretudo mais seguro.
Também os cônjuges são igualmente importantes nesta cruzada, estabelecendo objectivos comuns, remando no mesmo sentido, aceitando as diferenças, sem disputas nem concorrência, fomentando a entre-ajuda e partilhando os sucessos alcançados, ou assumindo os riscos envolvidos.

A nobreza do carácter humano mede-se pela sua capacidade de desfrutar com as coisas mais simples.

Mas, a sociedade consumista em que vivemos, aquilo em que nos tornaram é afinal o contrário, somos na generalidade desmedidamente ambiciosos, egoístas, egocêntricos e revoltados por não conseguir atingir os patamares de sucesso daqueles que nos são indicados como referência, sem, no entanto nos determos para pensar à custa de quê, de quanta desgraça, estes bem sucedidos lá chegaram, ou ainda se eles próprios não continuam insatisfeitos e não almejam sempre mais, atropelando quem se atravesse no seu caminho.
Como dizia o comentador Espanhol do canal de televisão La Sexta: La vida puede ser maravillosa;
Ou, parafazeando o meu primo Zé Abenta: La Vie c'est la merde parce que toujours on mange un peaux

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2009 em revista


Assim vai a vida...


Estamos a poucas horas de terminar mais um ano, é tempo de lançar um olhar sobre mais uma página que nos preparamos para virar neste livro da vida que para uns tem carácter de romance enquanto que para outros se assemelha mais com um trágico drama.


Temos um País envelhecido, de desempregados, de sobre-endividados, estamos na generalidade muito apreensivos quanto ao futuro, sobretudo ao dos jovens.
A contariar a tendência do envelhecimento da população apenas a chegada de mais imigrantes, e o nascimento dos filhos destes; Mas será que estamos a saber receber condignamente esta gente que nos chega na esperança de reconstruir aqui as suas vidas e proporcionar um futuro melhor aos seus. Como costuma dizer-se, o importante não será dar-lhes o peixe mas sim ensiná-los a pescar.


O desemprego será sem dúvida outro dos principais problemas a enfrentar e resolver, dado que temos cada vez mais jovens licenciados que terminam os seus cursos e engrossam as fileiras dos desempregados, com a agravante de que não foi feito um estudo sobre que tipo de formação garantiria aos nossos jovens uma melhor saída profissional, que necessidades temos e quais as prespectivas de evolução. Temos hoje sobretudo recém licenciados na área das Ciências Sociais, o que pressupõe a sua integraçõo na área dos serviços, quando o que puxa pela economia são as áreas técnicas, nomeadamente as relacionadas com as novas tecnologias.


Estamos sobre-endividados ao nível das famílias e ao nível do País, sendo que a segunda representa o hipotecar das gerações futuras. Este é realmente tanto mais preocupante quando assistimos a uma desenvergonhada "fuga para a frente", com total desnorte dos nossos políticos em geral e dos nossos governantes em particular, mais preocupados com os seus negócios, em defender os seus interesses particulares, empresariais ou feudais, sem o mínimo propósito de trabalhar em prol das populações que os elegem e sustentam, esperando que os representem e defendam como era suposto acontecer.




A corrupção, os jobs for the boys, as negociatas pouco claras entre algumas empresas e o Estado, o enriquecimento ilícito, ou não justificado, a justiça diferenciada para ricos pobres, a crescente insegurança, e as "lutas" institucionais entre órgãos de soberania, são preocupações que transportamos para o novo ano

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Portimão - A outra face do desenvolvimento




Há dias escrevi sobre este assunto noutro Blog, abordando a questão do ponto de vista da insegurança e marginalidade que estão associadas aos processos de desenvolvimento. A deslocação de mão de obra primária mais barata por altura das grandes obras, está invariávelmente ligada ao crescimento de nichos de trabalhadores estrangeiros, a viver em condições sub-humanas de alojamento e de ambiente familiar. Estes trabalhadores auferem ordenados inferiores aos de um trabalhador nacional, mas ainda assim, considerávelmente superior ao que poderiam conseguir nos seus Países de origem. Criam-se aqui duas situações:
Exploração por parte dos Empresários, relativamente a estrangeiros em situação laboral de carência, por falta de fiscalização adequada e que faça respeitar os direitos dos envolvidos;
Instabilidade social, dificuldades económicas e de integração desta gente que chegou até nós com o sonho de refazer aqui a sua vida, que acabam, mais tarde ou mais cedo, por trazer a família.
Com a recessão mundial, muitos dos projectos foram adiados, outros protelados, serão feitos, mas faseadamente de acordo com as disponibilidades
Adiados ficam também os sonhos daqueles que terão cada vez mais dificuldade em manter o seu trabalho, única fonte de rendimento para sustento das famílias, quer sejam Portugueses ou Estrangeiros
Fecha-se uma porta, abre-se uma janela..
A da marginalidade,e da prostituição... Pura sobrevivência.